Consumo colaborativo ou economia compartilhada. Uma chance de transformarmos nosso comportamento
26/09/2016

Consumo colaborativo ou economia compartilhada. Uma chance de transformarmos nosso comportamento

“O capitalismo está dando à luz a economia do compartilhamento e dos bens comuns colaborativos. Nós já estamos começando a viver em um sistema econômico híbrido, composto pela economia de troca no mercado capitalista, e pela economia do compartilhamento” Jeremy Rifkin, economista, pensador social, visionário e autor de best-sellers.

Ouvi falar sobre o assunto há mais ou menos um ano e fiquei curiosa. Li alguns artigos e achei a ideia sensacional.

Na semana passada, tive um aula sobre tendências na pós-graduação, quando o professor, colunista da CBN e que trabalha a 10 anos com esse tema, nos desafiou a encontrar algo novo no mercado e que irá realmente funcionar nos próximos anos. Ali nos tornamos o que chamam de Cool hunting. Na mesma semana, me deparei com um post que me chamou atenção: Chamava candidatos á preencher uma vaga de “analista de anfitriões”. Era uma empresa que ajuda a encontrar uma família para cuidar do seu pet enquanto você viaja. As famílias são os anfitriões e a responsabilidade do candidato, avaliar se estes estão realmente aptos à cuidar bem do seu amigão. Um dos benefícios da vaga além do horário flexível: auxilio academia.

Eu, como uma boa idealista que sou pensei: que bom que até a forma de ganharmos a vida esta mudando! Fiquei completamente empolgada e decidi me aprofundar sobre o assunto. E nem precisa dizer qual tema escolhi para o trabalho da Pós!

E o que vem a ser essa tal de economia colaborativa??

Conceitualmente falando, trata-se de um modelo de prestação de serviços compartilhados de pessoa-para-pessoa, que possibilita ter acesso a bens e serviços sem que seja necessária a compra ou troca monetária entre as partes envolvidas. Compartilhar, emprestar, alugar e trocar substituem o verbo comprar no consumo colaborativo.

Além do Airbnb e o Uber, achei dezenas de plataformas de consumo colaborativo no Brasil e lá fora, que vão desde empresas que promovem encontro de pessoas dispostas á trocar serviços simples como pequenas tarefas de casa, plataformas de troca de objetos que não são mais usados, carona compartilhada, encontro de cultivadores com donos de espaços ociosos como jardins, com objetivo de plantar alimentos, até a troca de conhecimentos e habilidades, como por exemplo aulas de yoga por curso de alemão. E o sucesso desses serviços é exponencial. Em média 85% das trocas são um sucesso.

De acordo com a especialista Rachel Botsman (fiquei fã de carteirinha dela) esse movimento está acontecendo com a ajuda de alguns fatores:

A importância do conceito de comunidade
A tecnologia, a conectividade e as redes sociais integrando pessoas, facilitando processos e eliminando intermediários
Preocupação, ainda que tardia pelo meio ambiente
Crise global e recessão

E assim, o reuse, recicle, repare, redistribua, vai ao encontro com o nosso atual sistema hiper consumista e mostra que na verdade, não queremos ter coisas, mas sim suprir a necessidade e desfrutar da experiência que aquela coisa proporciona, onde o uso supera a posse!

É a tal história do ”Você não precisa da furadeira e sim do furo”. Não precisamos do CD e sim da musica que ele toca!

A economia compartilhada permite que mantenhamos o mesmo estilo de vida, sem precisar ter mais, o que impacta positivamente no nosso bolso e também na sustentabilidade do planeta, além de incentivar uma nova forma de nos relacionarmos, com mais proximidade e quem sabe até, com mais confiança.

E falando em confiança, o que percebemos também é que com esse modelo, teremos uma nova “moeda“, o que esta sendo chamado de “capital de reputação“. O sucesso desse modelo depende da reputação que as pessoas tem para oferecer a melhor experiência, medida através do feedback dos usuários. O Uber, por exemplo, só mantem na equipe motoristas que tiverem avaliações a cima de 4,5 estrelas no total de 5. E esse é o fator de maior sucesso da plataforma. Portanto a reputação tende a ser o fator essencial para o sucesso das transações colaborativas.

Sou uma entusiasta desse formato e, coo consultora de marketing, já estou pensando no que posso fazer para entrar nessa onda. Acredito que o consumo colaborativo veio mesmo pra ficar, pois tende a aproximar pessoas, acabar com o consumismo exacerbado e vazio, egos inflados, sentimento de posse e incentiva a darmos valor ao coletivo. E para quem duvida, é só olhar pra trás e avaliar: há alguns anos ninguém aceitaria oferecer sua casa para viajantes e olha aí o Airbnb, com casas disponíveis em praticamente todas as ruas de Paris e ao redor do mundo todo!

Pra quem quiser saber mais, aqui vão alguns links interessantes:

http://consumocolaborativo.cc

http://www.landshare.org/

http://www.swaptrees.com/

http://nextjuggernaut.com/blog/taskrabbit-new-business-model-home-services-on-demand-app/

https://www.taskrabbit.com

Este guest post foi escrito por Andréa Freitas, Diretora Executiva e Consultora de Marketing na Stimulo Bureau.

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